Carta (Francisco Barros)

Ilustre colega,

 A salutar dinâmica da democracia interna na instituição do Ministério Público faz-nos aproximar de mais uma eleição para o cargo de Procurador-Geral de Justiça do Estado do Maranhão, momento que nos remete ao aprofundamento das reflexões e, naturalmente, ao exercício de fazer escolhas.

Do escrutínio das movimentações políticas no seio do Ministério do Público do Estado do Maranhão, vejo que a nossa instituição é privilegiada por tantos nomes valorosos que se dedicam a servi-la. Lanço-me nesse rosário e compareço perante vós com humildade, mas, também, com a segurança de minha capacidade para o lídimo e correto desempenho de tão importante missão.

Em alusão à experiência vivida ao longo de 25 (vinte e cinco) anos de Ministério Público, posso citar a competência, a temperança, a serenidade, a justiça e a prontidão para o debate virtuoso, entre as características que marcam minha atuação no decorrer desses anos na instituição, o que, tenho certeza, junto com a sua confiança e, sobretudo, a sua indispensável colaboração, me credenciam a exercer o cargo de Procurador-Geral de Justiça com probidade e eficiência, convicto de que a instituição deve avançar com um vigoroso investimento em sua modernização e profissionalização, o que passa por uma inevitável descentralização administrativa.

O Ministério Público existe muito antes de nós e a todos perpassará. Não podemos sucumbir à ilusão de que tudo começa agora ou a cada eleição. Por certo que é sempre preciso e desejável pensar e praticar o novo, mas sem esquecer que o infindável processo de construção do Ministério Público remonta a um passado distante, cuja compreensão é imprescindível para a consolidação de uma base sólida onde as inovações possam ser edificadas.

Independência funcional, autonomia administrativa e dimensão constitucional paritária ao Poder Judiciário são conquistas decorrentes de lutas que fazem parte desse processo contínuo que todos, notadamente aquele que se dispõe a chefiar a Instituição, precisam compreender bem para não as colocar em risco.

Esperando receber a distinção do seu apoio, acentuarei a luta pelo engrandecimento da instituição, sabedor de que isso somente é possível se tivermos firme no horizonte de nossos caminhos o valor do justo em todas as questões que lhe são correlatas, sem assombros, sem personalismos, sem ressentimentos, sem pernosticismo.

Com a convicção de que somos todos passageiros dessa instituição permanente e sublime que é o Ministério Público, tomando o termo passageiro em seus dois sentidos. Um, o de que somos efêmeros, pois passaremos e a instituição ficará. Dois, o de que estamos todos a bordo de uma mesma nau, sendo-nos, portanto, essencial que, maturadas as divergências no debate leal, envidemos esforços na única direção que nos é dado seguir, qual seja, no sentido da defesa austera da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis.

Recentemente, fiquei encantado ao saber que, no Oriente Médio, há uma orquestra formada por músicos judeus e palestinos que convivem e se relacionam em completa harmonia, numa demonstração literalmente sonora de que é possível a convivência de forma pacífica e respeitosa, apesar das diferenças, sem a preocupação de um se desfazer do outro.

Esse exemplo que vem de longe serviu para reforçar a minha convicção de que a liderança para ser boa tem que ser exercida construtivamente, livre de maus sentimentos. Liderar administrando as diferenças para que, em um instante, se conciliem em prol do objetivo comum que, no nosso caso, é um Ministério Público forte, combativo e estruturado para atender com eficiência e resolutividade as demandas daquela que é e precisa continuar sendo a maior de nossas parceiras, a sociedade.

Com o histórico de sempre ter honrado a confiança em mim guardada pelos membros do Ministério Público, compareço perante a classe ministerial, colocando-me como candidato ao cargo de Procurador-Geral de Justiça do Estado do Maranhão, com a expectativa de contar com o apoio de todos e, assim, possamos juntos, sem a exclusão de ninguém, realizar uma gestão que busque a excelência no desempenho da missão que nos foi abonada pela Constituição.

Agradecido pela sua atenção receba o meu abraço fraterno.

São Luís, 20 de março de 2012

 Francisco das Chagas Barros de Sousa

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