Reflexões

Minhas Reflexões sobre o Ministério Público e o papel do Promotor de Justiça.

Por Alessandro Brandão Marques, Promotor de Justiça em Balsas/MA.

Parece que foi ontem. Tinha vinte e cinco anos e restavam exatos três dias para completar meu primeiro ano de formado, quando, em uma das salas onde funcionava a Escola Superior do Ministério Público, no prédio da Procuradoria Geral de Justiça, em São Luís, tomava posse como Promotor de Justiça do Maranhão.

Como a vez de chamada era por ordem alfabética, fui o primeiro a levantar e seguir o protocolo previamente elaborado pelo cerimonial. Primeiramente recebi o ato de posse das mãos do Dr. Raimundo Nonato, então Procurador-Geral, e depois passei a cumprimentar toda a mesa, composta de membros do Ministério Público, do Judiciário e representantes dos outros Poderes para, ao final, sentar-me, já como Promotor de Justiça, junto aos meus outros quatorze colegas que aguardavam o ato de posse.  Acompanhavam-me, entre os convidados, amigos da faculdade e minha querida família. As lembranças permanecem vivas, apesar dos quase sete anos que já se passaram. Hoje, estou barbudo, casado e recebi de Deus o meu maior título, o de pai.

 Estou na minha terceira comarca como titular e já vivenciei três fases na minha carreira que, acredito, tenha ocorrido com alguns colegas. A primeira é a do deslumbramento, onde tudo é empolgante e quando se acredita que com uma bem elaborada petição de ação civil pública se resolverão todos os problemas da comarca. Não demora muito para se perceber que a maioria dos problemas a nós apresentados é bem mais complexa e que, portanto, a força dos argumentos expostos na folha do papel encontrará a reação contrária de outras forças, algumas vezes pouco nobres, mas que se sobreporão.

Benvindos à segunda fase. Ela pode ser identificada pelo desencanto. Aqui se percebe que entre a teoria e a prática há uma grande distância com tortuosos caminhos. Não raras as vezes, pensa-se em seguir outras carreiras, em outras esferas, na inocente crença de que tudo vai ser diferente. Chega-se a conclusão de que é uma esperança que também logo se transformará em outra coisa, pois as condições de trabalho realmente podem mudar, mas não creio que as dificuldades desaparecerão. Em qualquer carreira vamos sempre tratar com o homem, e a humanidade é uma só.

Antes de falar sobre a terceira fase da minha carreira como Promotor de Justiça, quero falar de Damião. Refiro-me a um personagem no belíssimo, empolgante e encantador romance “Os Tambores de São Luís”, do saudoso Josué Montello, meu conterrâneo (quanta audácia minha querer identificar algo em comum com o imortal).

Damião é um negro que nasceu escravo, passou a infância em um quilombo, voltou para a senzala, recebeu alforria, quase virou o primeiro padre negro do Maranhão e, não tendo sido aceito como tal, transformou-se em professor de latim, chegando a ministrar suas aulas no Liceu. Sofre durante todo o romance com seus conflitos psicológicos por nunca aceitar a subjugação do negro pelo branco. Foi demitido do Liceu quando bradou a seus alunos, todos filhos de branco, que “(…) a maldição da cor é uma falsidade e uma estupidez. (…) a liberdade não pode ser um privilégio da raça branca, porque é uma aspiração natural da condição humana. Toda restrição à liberdade constitui uma violência contra essa aspiração. Ninguém tem o direito de sequestrar um ser humano, privando-o da dignidade essencial da sua liberdade.”

Esse personagem, apesar de baseado em fatos históricos, é fictício. Contudo, no romance são citados vários personagens reais da história do Maranhão. É possível mencionar a cruel Donana Jansen e o Desembargador Pontes Visgueiro, apaixonado por Mariquinha, a devassa, com quem tinha um relacionamento doentio e que, não suportando vê-la o traindo com um jovem estudante do Liceu, esquartejou-a e enterrou o corpo no quintal de sua casa, sobrado no qual funcionava o setor jurídico da Caixa Econômica Federal, da Rua 13 de Maio, em São Luís, e onde estagiei como acadêmico de Direito da UFMA por quase dois anos. Fato pitoresco é que o local onde o corpo teria sido enterrado, funcionava o “arquivo morto” da repartição.

Ao lado desses personagens reais, Josué Montello enriquece sua obra ainda com o venerado caso do Promotor Público Celso Magalhães, patrono do Ministério Público maranhense, que conseguiu denunciar e até levar para a cadeia a aristocrata Ana Rosa Ribeiro, acusada de matar o negrinho Inocêncio. Nós membros do Ministério Público do Maranhão sabemos bem que Ana Rosa não foi condenada pelo júri, formado por membros da elite escravocrata da época.

Chego onde queria chegar citando Damião. Em um diálogo com o Promotor Celso Magalhães, Damião lhe desabafa: “confesso ao senhor que, ontem, depois do julgamento, fiquei atordoado. Mas em casa, pela madrugada, no vaivém da rede, consegui reanimar-me. Só o fato do senhor ter conseguido sentar Ana Rosa no banco dos réus, para ser julgada, depois de obrigá-la a conhecer a cadeia, já foi uma grande vitória. Vim aqui dar-lhe o meu abraço.” Emocionado, Celso Magalhães diz a Damião que está feliz, pois percebeu, naquele momento, que ambos pensavam igual. Disse-lhe que não deveria desanimar, pois as grandes conquistas são lentas e que um bom passo havia sido dado.

Concordo com esse pensamento. Hoje, entendo que não se muda a realidade de uma Comarca de uma vez só. É preciso ter paciência e desenvolver um trabalho continuado.

Para desenvolver com sucesso esse trabalho continuado, entendo que o Ministério Público precisa ter a consciência de que é uma das instituições que goza de grande credibilidade perante a sociedade.  Quando se indigna com algum problema na sua cidade, a população lembra, de imediato, do Ministério Público. Ela crê no nosso trabalho, ou seja, acredita que, dentre as instituições e órgãos públicos de que tem acesso, poderá encontrar auxílio no Promotor de Justiça do seu município.  Acredito ainda, da mesma forma, que o Ministério Público é acreditado pela imprensa e pela sociedade civil organizada.

Pois bem. Tal constatação se presta a duas conclusões. Primeira, a de que devemos fazer por onde continuar merecendo essa credibilidade. Não é demais lembrar que não somos Poder, tal como Executivo, Legislativo e Judiciário. Estes fazem parte da estrutura primária do Estado. Em verdade, eles são o Estado e, portanto, suas falhas e deficiências receberão críticas, mas que dificilmente abalarão seus alicerces, já delineados desde a época de Montesquieu, em sua obra O Espírito das Leis, do século XVIII.

 Já o Ministério Público, apesar de ter recebido notável relevo pela Constituição Federal de 1988, deve ser mais vigilante com sua imagem e seu perfil, verdadeiramente ainda em construção. Vale lembrar os inúmeros projetos de lei desfavoráveis ao Ministério Público que tramitam no Congresso Nacional. Todos nós sabemos que esses projetos ainda não se transformaram em lei porque seus autores temem a repercussão negativa que terão perante a sociedade.

A outra conclusão, onde, em verdade, quero chegar nesse momento, é a de que é importante saber usar essa credibilidade em favor do nosso trabalho. Trazer a população para dentro do nosso trabalho faz dele muito mais poderoso. A força de se ajuizar uma ação civil pública é enorme, sem duvida, mas se não estiver acompanhada de mobilização social, certamente, em uma ou duas semanas ninguém mais se lembrará dela. Daí, o próximo passo, é encorpar as pilhas de processos conclusos para os Juízes, que não darão a esses procedimentos, sempre complexos, a mesma atenção que outros mais simples, afinal de contas, para o cumprimento das metas de produtividade que lhes são impostas, o julgamento de uma ação civil pública tem o mesmo peso de uma decisão que homologa acordo de alimentos.

Portanto, o Ministério Público deve priorizar o trabalho extrajudicial de defesa dos interesses coletivos, sem, evidentemente, descartar a via judicial. Dessa maneira, quando se fala em trabalho extrajudicial, está se falando em parcerias com a população, principalmente através da sociedade civil organizada, bem como com a imprensa, sempre uma importante aliada na tarefa de mobilização da sociedade. Quando possível, a parceria com o próprio demandado é muito relevante, pois, geralmente, encurta o caminho até a solução do problema.

Saber dosar, todavia, diálogo e medidas mais severas na defesa dos direitos coletivos é sempre uma tarefa árdua. Nem o muito, nem o menos. Como diziam os antigos, tudo demais, passa do ponto. Assim, lembro-me das aulas de introdução à filosofia, com o Professor Helder, no já distante primeiro período do curso de Direito. Marcou-me o conceito de virtude do filósofo grego Aristóteles, para quem a virtude é a linha equidistante entre o excesso e a escassez.

A busca, certamente sempre difícil, é pela vigilância que temos de ter para não nos aproximarmos demais da escassez ou do excesso. Aquela pode ser entendida como o famoso trabalho de “miguelagem”, ou seja, faz-se uma coisinha aqui, outra acolá, expede-se um ofíciozinho e, no máximo, uma recomendação, sem qualquer preocupação se resultados efetivos ocorrerão.  Já o excesso seria aquela postura intransigente ao extremo, que vê em tudo e em todos verdadeiros inimigos dos direitos coletivos. Há uma verdadeira compulsão por demandas judiciais. Quando se está no excesso, dialogar, realizar audiências públicas, buscar um termo de ajustamento de conduta, tudo isso é sinal de fraqueza. O bom mesmo é processar.      

Já passei pelas ditas primeira e segunda fases. Hoje, formando um perfil diferente do deslumbramento e já bem distante do desencanto, ainda não consegui identificar um nome preciso para a fase em que me encontro, mas certamente me sinto mais maduro. Como dito no título, essas são apenas reflexões e, portanto, não tenho, de maneira alguma, ao escrever essas linhas, a pretensão de dizer que estou certo, nem mesmo que essa atual fase é a correta e definitiva. Até porque, como bem disse o poeta maluco-beleza, mais vale estar em constante transformação do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo.

Balsas-MA, 06 de julho de 2011.

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Sobre José Márcio

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18 respostas para Reflexões

  1. José Márcio disse:

    Alessandro,
    A maturidade é uma dádiva fantástica!
    Há dois caminhos para alcançá-la: a experiência e a observação. A primeira nos revela a sabedoria através das feridas que a vida abre e fecha; a segunda, através da atenção ao mundo que nos rodeia e a tudo que nele acontece. Na primeira, aprendemos com os nossos erros; na segunda, com os erros dos outros.
    Fico feliz de vê-lo alcançar a maturidade pelas duas vias. Nem todos alcançam esse nível de percepção do “mundo da vida”!
    Sobre o mérito das suas reflexões, há muito tenho falado em conversas com colegas e até mesmo através do blog: um trabalho de excelência na seara da defesa dos interesses transindividuais passa necessariamente pelo aperfeiçoamento do manejo da atividade extrajudicial do Ministério Público. Por isso, precisamos investir nisso, com profissionalismo e eficiência administrativa.
    Espero que esse pensamento seja um dia um dos nortes da administração do Ministério Público do Maranhão. Quem sabe um dia…
    Grande abraço e parabéns pelo texto!

    • Alessandro Brandão Marques disse:

      Caro Zé Márcio. Agradeço pelas suas palavras, sempre reveladoras de seu perfil de lucidez. Quero destacar, dentre todas, o apontado “profissionalismo” que devemos ter no desempenho do nosso trabalho. Sinto a falta de um norte a ser dado, acredito, pela Administração Superior, no sentido de que programas institucionais sejam criados ou apoiados. Não vejo nisso qualquer ofensa a tão alegada independência funcional, principalmente se houver vários programas institucionais, cabendo a nós a dedicação àquele(s) que mais nos identificamos.
      Grande abraço.
      Alessandro Brandão.

    • Caro José Márcio, esse blog vai cada vez melhor, de vento em popa.
      Amigos Joaquim, Fernando, Sandro Lobato, compartilho da visão de vocês.
      Parabéns ao autor do texto, que foi muito feliz.
      Não podemos perder o horizonte da utopia, do sonho, pois é ele que nos move, que nos faz caminhar. Damos um passo, ele avança dois passos, como diria EDUARDO GALEANO.
      O mesmo GALEANO, nas suas “veias abertas” e sensíveis, também nos ensina que a vitanima “E”, de entusiasmo, é a nossa maior arma.
      Belo texto do colega Alessandro, um verdadeiro “achado” em tempos em que a motivação e a vocação pelo ideal precisa ser resgatada.
      “Trazer a população para dentro de nosso trabalho faz dele muito mais poderoso”.

  2. sandro lobato disse:

    Alessandro,
    Belas reflexões. Parabéns pelo texto. Creio que a nossa turma de concurso tenha passado pelas duas fases mencionadas por você (eu com certeza). Não sei também o nome da terceira fase, mas sei que ainda tenho esperanças no MP e que colegas como vc, dentre outros, poderão sim, aos poucos, mudar não apenas o MP mas, principalmente, a realidade social que hoje existe.
    Abraços,
    Sandro Lobato

    • Alessandro Brandão Marques disse:

      Sandro, obrigado pela gentileza de dar a sua opinião sobre o texto. Acredito que a grande maioria dos nossos colegas tem esse perfil e o que precisamos é de motivação. A tal onda, tão bem dita, só precisa de um vento forte para se fortalecer.
      Abração.
      Alessandro Brandão.

  3. Marco Antonio Santos Amorim disse:

    Estimado amigo Alessandro,

    Não poderia quedar inerte a tão belo texto. Quem o conhece sabe bem o quanto amas teu trabalho e o quanto te angustias por ter chegado à conclusão, pela experiência, da dificuldade encontrada para otimizar as atividades ministeriais (dificuldades internas e externas). Infelizmente, Alessandro, observo que muitos colegas têm ingressado no MP e, sem passar pela primeira fase (a do deslumbramento considerado como ansiedade de produzir, de resolver os problemas, de se inquietar diante do que é errado), já pulam direto para outra fase qualquer. A figura do Promotor (pelo menos como eu o entendo) jamais se compatibilizará com subserviência ou aquiescência com práticas imorais. Rompeste um silêncio para se juntar aos que como eu e tantos outros almejam um Ministério Público melhor. Parabéns, meu amigo. Saúde e paz para tua bela família.

    • Alessandro Brandão Marques disse:

      Amigo Marco, fico grato pelas suas considerações. Aliás, você foi mencionado no texo, pois estava presente na cerimônia da minha posse, entre os queridos amigos da faculdade. Desde então, muitas coisas aconteceram na nossa carreira e continuarão acontecendo. Todavia, mude o que mudar, acredito que nossa vontade de mudar as coisas para melhor continuarão presentes no nosso trabalho.
      Grande abraço,
      Alessandro Brandão.

  4. Joaquim Junior disse:

    Grande colega Alessandro

    Belo texto, bela reflexão. Vc definiu muito bem o que sentimos, às vezes, diante de obstáculos que parecem insuperáveis. Mas quem falou que nosso mister seria fácil, não é mesmo? Não podemos nos abater. Como muito bem colocou o colega, não devemos esperar que todos os problemas da comarca sejam resolvidos de um dia para o outro. Por outro lado, não podemos perder a capacidade de sonhar, por mais utópico que pareça nosso sonho. É ele que nos mantém fortes suficientes para continuarmos em frente, mesmo quando nos deparamos com eventuais “derrotas”. Não só a vitória rende bons frutos. Exemplo disso é a “derrota” espetacular do nosso patrono no caso da baronesa. O principal desafio do Ministério Público daqui para frente será recuperar a motivação e o orgulho de ser Promotor de Justiça em cada colega. Suas palavras demonstram que esse desafio será vencido. Se tivermos essa vitória, mil “derrotas” não serão nenhum problema.

    Abraço e parabéns pelo texto

  5. Fernando Berniz Aragão disse:

    Meu amigo Brandão,
    Não poderia, aliás, nenhum Promotor de Justiça realmente comprometido com a real acepção do cargo que ocupa, poderá deixar passar in albis as reflexões feitas pelo amigo.
    O caminho, na maioria das vezes é espinhoso, cheio de pedras e obstáculos, mas a dignidade da função que ocupamos, em especial quando somos a última opção buscada pela sociedade para a solução dos problemas nos faz seguir adiante, mesmo quando não encontramos apoio.
    Saiba que uma boa parte dos colegas se preocupam com o futuro da nossa Instituição e estão imbuídos dos mesmos sentimentos.
    Parabéns ao amigo pela serenidade alcançada.
    Um grande abraço.

  6. Rafael Bulhão disse:

    Parabens pelo texto. Pura verdade. Voce foi muito feliz.
    Nao sei bem onde me encontro nessas fases, mas confesso que já andei pensando, outro dia, inclusive, em voltar a estudar para outro concurso…. A triste realidade do nosso Maranhão, a solidão (familiar e a falta de apoio da Procuradoria), as dificuldades do promotor iniciante e outras coisas são verdadeiros “leões” que temos que “matar” a cada dia!
    Saber que colegas mais experientes também passam por essas dificuldades e pensam de forma semelhante avilia a barra e nos alenta a continuar a caminhada.
    Parabens e sucesso!
    Rafael

    • Alessandro Brandão Marques disse:

      Colegas, fico satisfeito com os comentários postados e vejo o quanto são importantes espaços como esse que o Zé Márcio criou e, ainda, que saibamos aproveitá-los.
      Ao colega Rafael, digo-lhe que essas dificuldades iniciais são normais. Em verdade, sinceramente, acretido que sempre existirão (em qualquer carreira), o que muda é a capacidade que desenvolvemos para enfrentá-las. Use essa sua angustia não para se transforma em um “servidor público padrão”, mas em um Promotor que faz com comprometimento seu trabalho, mas sem o peso de se considerar um herói ou mártir. Tenha paciência e procure ser feliz.
      Abraços.
      Alessandro Brandão.

  7. Carlos Róstão disse:

    Caro Brandão,

    Os colegas têm toda razão ao afirmarem que as tuas reflexões encampam o pensamento da maioria. De fato, são claras as fases citadas no início da carreira, e inevitável a constatação do verdadeiro hiato existente entre as grandes terorias desenvolvidas dos debates acadêmicos e a prática do nosso dia-a-dia. Confesso que nesse pouco tempo, nas fases mais agudas, já pensei várias vezes em enveredar pelo ramo da psicultura ou coisa parecida. Por enquanto, ainda continuo alimentando as esperanças de que “dias melhores virão”, especialmente, após a leitura do texto, que acaba servindo de combustível para a nossa árdua batalha. Parabéns!
    Abraço,
    Róstão

  8. sandro lobato disse:

    Psicultura? Amigo Róstão vc é um fanfarrão!rs,rs,rs
    Em todo caso, não deixe o MP não!
    Abraços,

    Sandro Lobato

  9. Eduardo Nicolau disse:

    Colega Alessandro,
    Acabo de ler o seu escrito e recordei-me do ano de l979, quando fiz concurso para o MP.
    Naquela época, as coisas eram bem diferentes. Além de não termos as garantias e as atribuições de hoje que nos dão tranquilidade para exercer a função e notoriedade nas ações, éramos “jogados” de um lado para o outro.
    Entrei com toda garra e vontade de ser Promotor, principalmente com o desejo de mudar o mundo.
    Confesso que muitas vezes fraquejei e tive vontade de desistir, pois as dificuldades àquela época eram muito maiores.
    Mas quando olhava para trás e via a miséria que cercava a tudo e a todos, pensava eu que seria covardia voltar para a Capital, sentar-me num escritório e deixar o sonho ser somente uma coisa do passado.
    Hoje vejo que o pouco conseguido embalou a alegria de muitos, resolveu a vida de outros e diminuiu o sofrimento de tantos.
    Concordo com o colega quando diz que já ultrapassou algumas fases. Eu já nem confiro, pois ainda estou atuante, desejoso de fazer o melhor, com necessidade de obter conhecimentos e tentando ouvir bastante para arrematar minhas conclusões com muita tranquilidade.
    Se hoje nos queixamos da situação – o que é certo e necessário -, devemos lembrar que só nós podemos melhorar o que aí está. Não desista colega, pois temos todos ainda muito a contribuir.
    A sua reflexão é correta e bem concatenada. Siga adiante.

    • Alessandro Brandão Marques disse:

      Dr. Eduardo, o seu comentário é muito bem vindo, posto que, sendo um representante da Administração Superior do MP, trouxe o seu olhar aos Promotores de base, principalmente do interior, e, com isso, reafirma o seu compromisso com a Instituição.
      Parabéns pelo seu exemplo.
      Fraternal abraço,
      Alessandro Brandão.

  10. Patrício Noé da Fonseca disse:

    Alessandro,
    Muito belo o texto, especialmente quanto à descrição de seu amadurecimento profissional – e, também, pessoal – como membro do Ministério Público, mediante um processo evolutivo gradual, em que uma visão inicialmente otimista e ingênua da Instituição é paulatinamente substituída por um profundo desgosto e desencanto com o crescente volume de demandas sociais reprimidas e a aparente ineficácia dos meios tradicionais de atuação ministerial para atendê-las, cedendo lugar, finalmente, à plena aceitação da carreira tal como ela é, cheia de agruras e obstáculos, com todas as dificuldades que lhe são inerentes, retornando ao estágio inicial de ingenuidade, marcada, dessa vez, pela liberdade criativa de buscar meios de atuação alternativos para tutelar os interesses que nos são confiados.
    Acho que esse processo de evolução e amadurecimento é comum a cada um de nós, enquanto indivíduos, e perpassa a própria instituição do Ministério Público. É incrível como o seu relato se assemelha à alegoria das “três metamorfoses”, que Nietzsche, pela boca de “Zaratustra”, utilizou para ilustrar sua ideia de transmutação dos valores da cultura ocidental: “Três metamorfoses, nomeio-vos, do espírito: como o espírito se torna camelo e o camelo, leão e o leão, por fim, criança” (“Assim falou Zaratustra”, Cap. 1). Ele nos ensina como, partindo-se da obediência passiva do camelo, que sempre aceita as cargas que lhe são impostas, se deve derrubar o fardo dos valores, com a brutalidade do leão, e depois passar à criação de valores novos, com a originalidade inocente da criança. Assim, a terceira fase, a qual você – tal como o próprio Ministério Público – está vivenciando agora, é a fase da “criança criadora”, uma fase de conscientização dos próprios valores e potencialidades, cuja realização é buscada com liberdade e independência.

  11. Patrício Noé da Fonseca disse:

    (continua)
    Confesso, porém, que eu, como boa parte dos colegas neóficos, ainda me encontro na fase do “leão destruidor”. O Ministério Público é, sem dúvida, a mais bela das instituições da República. Que carreira jurídica pode ser mais sublime do que aquela que advoga os valores e interesses mais importantes da sociedade? Mesmo assim, não é nada fácil ser Promotor de Justiça, especialmente no interior do Estado. Viver sozinhos em uma terrra agreste e inculta, distantes da família e dos amigos, extenuados e estressados com a carga desumana de trabalho e as crescentes demandas – outrora reprimidas – da comunidade, inclusive sendo obrigados a desempenhar atribuições de outras instituições (refiro-me, em especial, à assistência judiciária dos necessitados); frustrados com a baixa resolutividade da atuação judicial e com a falta de tempo hábil para desenvolver uma atuação extrajudicial mais eficiente; e – tribulação mais recente – assombrados com a violência dos embates travados pelas facções que disputam o controle interno da Instituição, tal como as rãs da fábula, que temiam morrer espezinhadas e esmagadas em meio à luta dos touros, uma luta que não era sua, mas que afetava diretamente sua vida. Isso tudo nos frustra e nos desencanta, dividindo-nos entre o amor à Instituição e o desejo de levar uma vida tranquila junto à família, ganhando a vida honestamente em outra carreira jurídica que nos permita manter um padrão econômico condigno, ainda que não tanto quanto o proporcionado por nosso subsídio atual.
    Acho que é justamente por nos lembrar que essas atribulações são comuns a todos os colegas, estabelecendo, assim, um vínculo de solidariedade entre todos, que o seu texto é capaz de nos tocar tão profundamente, inspirando um novo alento para perseverar na carreira e tentar contribuir, em nossa atuação funcional individual, para o aperfeiçoamento da nossa Instituição e do Estado Democrático de Direito. E, para ilustrar o sentimento de esperança que você nos despertou, vou encerrar citando mais uma vez as palavras do “Zaratustra” de Nietzsche:
    “Ai de vós! Eis chegado o tempo em que o homem não mais lançará a flecha de seu desejo para além do homem, o tempo em que a corda de seu arco terá desaprendido de vibrar! Eu vos digo: é preciso ter caos ainda dentro de si para poder gerar uma estrela piscante. Eu vos digo: ainda tendes caos dentro de vós” (“Assim Falou Zaratustra”, Prólogo, V).
    Um abraço fraterno,
    Patrício.

    • Alessandro Brandão Marques disse:

      “Acho que é justamente por nos lembrar que essas atribulações são comuns a todos os colegas, estabelecendo, assim, um vínculo de solidariedade entre todos, que o seu texto é capaz de nos tocar tão profundamente, inspirando um novo alento para perseverar na carreira e tentar contribuir, em nossa atuação funcional individual, para o aperfeiçoamento da nossa Instituição e do Estado Democrático de Direito.”

      Pronto…. como diria o mais aguerrido soldado que volta exitoso de uma batalha: “missão cumprida!!”.

      Colega Patrício, parabéns por sua percepção.

      Abraço.
      Alessandro Brandão.

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